A MORTE COMO QUESTÃO SOCIAL
No processo da morte... são realizados rituais complexos que envolvem uma estética da morte aos moldes da estética contemporânea. O corpo é quimicamente preparado para parecer vivo, pois, como atesta Gorer (1955) o morto é negado enquanto morto. Depois de embalsamado, é devidamente vestido, às vezes com roupas que nunca teve condições de usar em vida, e passa a recepcionar os visitantes num salão devidamente preparado para tal. Uma honraria que anteriormente era destinada somente aos faraós, reis e papas, agora é massificada pela cultura americana e imposta às demais culturas. Em alguns lugares, como na Itália e no Brasil, muitos hospitais dispõem desse lugar; mas, no caso do modelo americano, a idéia é criar um local neutro para realizar os ritos fúnebres: a “funeral home”. A recepção pode contar com uma decoração ao gosto do falecido ou da família, além de música, bebida e comida.
O luto é negado como forma nobre de enfrentar a dor. Em seguida, são feitos os ritos de sepultamento de acordo com a religião adotada, ou sua ausência. Os cemitérios globalizados são verdadeiros parques, como lembra Ariès (1989, p. 164), “embelezados com monumentos e destinados à edificação moral de visitantes, mais turistas que peregrinos”. Assim, como preconiza Maranhão (1999, p. 36-37) o mundo dos mortos se mistura e imita o mundo dos vivos.
GURGEL
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