Não somos doentes e nem vítimas da morte. É saudável sermos peregrinos. Não podemos aceitar passivamente aquela morte que é conseqüência do descaso pela vida, causada pela violência, acidentes e pobreza. Frente a esta realidade, é necessário cultivar uma santa indignação ética e um compromisso com a vida vulnerável. Podemos ser curados de uma doença classificada como sendo mortal, mas não de nossa mortalidade e finitude humanas. Esta condição de existir não é uma patologia! Quando esquecemos isso, acabamos caindo na tecnolatria e na absolutização da vida biológica pura e simplesmente. Insensatamente procuramos a cura da morte, e não sabemos mais o que fazer com os pacientes fora de possibilidades terapêuticas. Instala-se então a distanásia, adiando a morte inevitável em que os instrumentos de cura facilmente se transformam em ferramentas de tortura!
Entre dois limites opostos, de um lado a convicção profunda de não abreviar intencionalmente a vida (eutanásia), de outro, de não prolongar o sofrimento e adiar a morte (distanásia). Entre o não abreviar e o não prolongar, está o desafio de cuidar do sofrimento. Como fomos cuidados para nascer, precisamos também ser cuidados para morrer. A vida humana, no seu início, bem como no final, é total vulnerabilidade que nos convoca ao cuidado máximo.
Aqui, a palavra de ordem é solidariedade, que não é paternalismo. Cicely Saunders, fundadora da moderna filosofia de cuidados paliativos, diz: “o sofrimento humano somente é intolerável quando ninguém cuida”.
Pe Leo Pessini

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